28.5.17

se um principal parece não mudar, sei que muda um tom. mais saborosa de mim. e já aceito essa cor da minha história, só quero mesmo é mudar de roupa.

nova casa em: www.casadesemente.blogspot.com

e aqui a palavra sentida entre 07/12/2009 e 28/05/2017
De onde eu estava há doze ou treze anos atrás, algo sempre o mesmo eu de novo no espelho. Mais no sentimento, que na palavra. Mas foi a palavra que fotografou meu estado. Imersa no drama família que hoje não mais. Uma menina tentando virar mulher, querendo ser aquela arte alheia, beleza de aparente maturidade. Exposição de arte que não se entende, mas se quer. Para expressão de um mundo interno que talvez. Sendo uma influência sombria, puxando evolução por caminho torto, estranha dor. Obrigando a reler o momento, fria de lago no norte com a lágrima seca para cair, saio e entro de novo em mim. No cheiro forte que nem sei. Paro ali um tempo, entendo mais a missão pesada anunciada por astros. Purificar é montanha gelada para subir. Que subo e receio. O que invejo é a profundidade de se amar a si e criar uma arte que mais que sedução quer é transbordar e vira rio. Força de água que de repente nascente. Não sei escrever surpresa. Mas arrisco rabiscar minha imagem de mim.

14.5.17

Do que é ser brasileira

é mais sobre entender de onde vim
de repente saber que a língua é mais que palavras
é cheiro, jeito, sentimento
é origem e destino

não venho para julgar
abro peito e chego
sou bem recebida

mas aos poucos entendo
o tamanho do samba, da viola,
da nossa música dentro de mim

nosso corpo relaxado
esse abraço quente na vida

um sorriso fácil,
fácil de verdade
a comidinha de casa,
arroz úmido, abobrinha batida

o som da rua, o calor
o sol que é bom para gente
a temperatura exata da palavra espontaneidade

tantos anos me tornando brasileira
nos almoços de família
nas mãos generosas de minha avó
nas risada de minha mãe, minhas tias
entre primos e conversas boas com meu pai

sendo com meu amor, minha irmã, meus amigos
juventude que vive indo atrás do lado bom desse país
no mar e no sertão
todo tipo de interior
sítio, fazenda ou acampamento
aprendendo ser fogão a lenha
gostando de saber de árvores e passarinhos

investindo tempo e vontade
em coisas misteriosas de capoeira
de religões misturadas
batendo palma em cantos antigos

sem saber vestindo essa identidade
tão felizmente
que hoje, se sinto saudade,
não é por rejeitar o que difere
mas porque entendo mais de onde vim

a distância torna claro o contorno
do que é ser brasileira
e eu acho um contorno lindo

6.5.17

não sei ler minhas poesias antingas
só sei ser presente e futuro
o passado me dá medo
porque não estou mais lá
me vejo, mas não me encontro
o peito se aperta
já não cabe bem naquele sentimento
é um túnel muito grande para olhar
sou mais sentir o vento que passa agora
o passado me assa 
me sinto perdida por ali

4.5.17

Eu calço é 36

Eu calço é 36, aqui preciso me achar entre os números 6,5 ou 7. Simplesmente não me cai da mesma forma.
O que acho da revolução? Só posso dizer que me encanta. Encanta-me pensar que podemos mudar. Que podemos nascer de novo dentro de nós. Quem, por exemplo, medita, creio busca uma revolução. De qual tamanho? Até onde podemos nos lançar?
Longe, longinha, eu sei que meus limites (mas também meu horizonte) são meus queridos. Seus olhos. Nada menos que suas manias.
"Como se ter ido, fosse necessário para voltar", sempre quis cantar esta frase dentro do sentimento.
Cá estou e agradeço. Estudar é mesmo algo mágico. Pois além de estar, posso pensar este lugar. Que prigilégio de existência, pois dentre tantos hermanos ainda posso achar que a vida que eu levo no meu país é melhor que em qualquer lugar, qualquer promoção ou cartão verde.
Meu cartão verde tem nome, RecantoJatobá.
Mas ainda vou preciso abraçar uma sequóia gigante anciã.

30.4.17

Deslocalizações de um mundo largíssimo. Tudo muito de comprar, ser, florir. Sentimentos de país e línguas estrangeiras. Mas no fundo o cheiro de pensamento brasileiro. Saudade rápida da experiência "meu lugar". Passando por baixo de um céu completamente azul e levemente frio, sinto a estranheza necessária pelas construções de madeira, pelos jardins tão prefeitamente floridos, pelas pessoas novas e pelo meu próprio interior.
Respiro esse momento embrulhada pela lembrança das cervejas de ontem, pela distância de nós e pela consistência de um futuro que virou agora.
Não faço resistência à melancolia de um domingo estrangeiro. Vivo meu corpo e pronto. Enfeito com palavras meu sentimento, na busca por empacotá-lo de presente para minha saúde. Vou em busca do meu refugio de letras, o abraço que sempre posso me dar, quando me sinto sozinha.

13.3.17

Alecrim do campo

Aquela rocinha de aprendizado, de coisas tão grandes como jatobá. Do mesmo jeito que a lua cheia me atravessava plantando uma floresta de futuro. Ali naquela rede podia me ver por gerações, aprendendo a ser a pessoa que quero ser. Sabedora dos ventos, quiabos, talvez sapos. Descobrir as preferências do fogo e onde rachar a lenha. Não é questão de força. A cura já veio plantada no terreiro.

15.9.16

Que

que eu saiba aguardar o sol nascer tranquilo, com suas certezas de raios luminosos, confiante da fotossintese em gerar toda a vida.
que meu coração suporte a espera dos segundos, dos anos, do tempo a despetalar o veredicto sobre quais planos vingarão semente.
que eu deixe morrer, em paz, o que não foi, o que não era, o que não.
que meu corpo, e mais minha alma, aceitem e soltem as rédeas quando elas já forem uma prisão desnecessária ao meu cavalo tão bem conduzido à praia das possibilidades.
que quando cheguemos lá, possamos curtir a corrida e o vento no rosto, que certamente existirão no caminho que se oferecer viável.
que o amor me salve de querer ser muita coisa e me ensine a apenas ser.


1.8.16

Acredite

Acredite, logo, será humano
Acredite, logo, dará as mãos
a quem crê no mesmo que ti
ainda que desconhecidos
Acredite, logo, se juntará
a quem crê no mesmo caminho
Acredite, logo, estará afastado de
quem não crê em suas crenças

Se é que é possível escolher
Escolho crer em um Deus
E em mil Deuses
Escolho crer em vida pós a morte
Escolho desconfiar das promessas que
vinculamos ao dinheiro
Escolho viver o amor proibido
E casá-lo em uma igreja inventada
Escolho uma agricultura sem veneno
Inspirada nas florestas
Escolho crer que ela alimentará o mundo

Também escolho crer na igualdade de todos
e no respeito
e na paz
e na educação
e na alma
e na subjetividade
e na arte

Sobretudo, tento crer que é possível escolher
Mesmo sabendo que é tudo ficção

Mas não mais irreal que a guerra,
que a discriminação,
que o racionalismo,
que todos os ismos.

Em que crê
Será o rio a te juntar e separar

As ficções mais alucinadas
Já viraram concreto
Já foi dado por certo

Se é nossa imaginação,
que cria nossa realidade
então, porque não crer no melhor?







26.7.16

ao me movimentar, encontro lugares estranhos dentro de mim. o espelho se quebra e, por hora, esqueço quem sou. aonde não passei, me parece que não quero ficar tempo longo. a alma se aninha em plantas e bichos nessas lonjuras que sinto em terra de outras formas de vida. são eles um caminho seguro para o simples e para o eu mais comum.
nessa comuna, sinto uma tendência de ostra dominar meu corpo. bebo para disfarçar e pra fingir ser outro animal. é claro que não funciona. minha conexão leva tempo e sem ela sou peixe fora d'água, de minha água.
respiro a ideia de sou passageira nessa viagem que passa.

1.7.16

ainda nesta vida

ela me olhava, eu a via. ainda assim, uma distância de dores nos separava. eram paredes que tentávamos derrubar. em vão. nos iludindo que seguíamos em uma evolução. que nada. dois passo à frente, três passos à dentro. onde o encontro só é possível consigo. mas talvez fosse esse o propósito. na dificuldade daquele encontro, rodeado de amor e desentendidos, nos empurrámos para dentro de nós. único espaço certeiro de desvendar raízes desentendidas. como vê, ainda me iludo de nossa evolução. também posso chamar de espera. essa esperança. porque os mais profundos da vida, exigem-nos habilidades de espera. de deixar o tempo do encontro consigo acontecer no seu tempo. e, então, nos encontraremos sem muros. espero que ainda nesta vida. 

25.5.16

A xícara de chá no colo, meu corpo esquecido na poltrona, a leve tensão nos músculos, na respiração. Era assim o ambiente do meu vaso alquímico, onde estava ali ocupada em me fazer. Então, desfiei um sonho mal lembrado, despretensioso. Confiando nos misteriosos caminhos dentro de mim. Nele lidava com pequenas flores, vasilhas para conter água limpa, encontrei com uma doce palhaça rosa e vi um bebê caindo de um beliche. Imagens do meu interno me lembrando do sutil, das esferas do cuidado, a beleza da sensibilidade, os espaços sagrados da introspecção. Um desses belos caminhos da alma para compensar dias tão tarefistas, tão ocupados em dar conta, objetiva, das responsabilidades, das notícias de um Brasil em pedaços, da perda de um grande professor.

5.4.16

existe uma floresta aqui
paisagem longa
minha terra preservada
já andei por tantas de mim
pelas trilhas que abri
ainda há tanto a descobrir
não posso negar meu subterrâneo
minhas árvores querendo nascer
bem sei bem das minhas escolhas botânicas
mas isso não apaga as outras flores
que me brilham no caminho




18.11.15

O que significa a morte de um rio?


Quantas lágrimas são necessárias para limpar um rio?
De onde virão os peixes dos pescadores?
De onde virão nossas histórias?
Para onde foram nossos mergulhos?
Nossas casas onde moram?
Nosso mar para onde foi?
Qual será a paisagem de nossa infância?
Onde morarão nossas lembranças?
Qual chão nos restará para plantar?
Que alimento nascerá nesse lugar?
Para onde mudarão os tantos bichos?
Que mais tristes perguntas ainda pedurarão?
O que significa a morte de um rio,
se não nosso próprio corpo seco no chão?

8.3.15

pra crescer como umbuzeiro

casa sem forro, que forra vidas mais fartas de céu. gente que tem riqueza em plantas, bichos. guarda tesouros de água (o auge do amor é a água).
o povo pede desculpas do feio que vêm na seca, sem perceber a beleza que brota de suas mãos, pelo canto dos olhos, no generoso feijão oferecido.
o umbuzeiro flori, ri, distribui vida como pé de esperança. as crianças e os cabritos, no reino do sol, correndo por correr, pra crescer forte como umbuzeiro.

5.12.14

A palavra que não conheço

Pergunta-me se é tristeza
Digo: é só melancolia

Pergunta-me o motivo,
Pelo menos uma palavra

Penso, mas não acho
Escolho, então, sentir
sem censura
a gravidade de existir,
de ser eu,
de calar para ouvir

No que parecia desconfortável,
encontro uma profundidade
um olhar mais solitário
encaro de frente meu ser
e relaxo na melancolia
da palavra que não conheço

1.12.14

Espera

A espera de andar,
A espera de quem cozinha,
A espera de quem faz arte,
A espera de um bebê,
A espera do resultado

Neste mundo instantâneo,
a espera perdeu lugar,
mas nunca sua poesia

A espera do pássaro quando chove
A espera da filha à porta da escola
A espera da mãe na madrugada

À espera do grande amor
À espera da morte
À espera dos encontros depois da morte

Carros não esperam,
Prazos não esperam,
Celulares não esperam,
A modernidade não espera

Quem espera é avó,
É cachorro,
É fogão a lenha,
É quem anda,
E quem ama,
de verdade



14.10.14

Ponte do olhar

A ponte do olhar traria mensagens longas e longínquas. Traria mais de mim, como a onda do mar. Que quebra e traz de volta. Como um barco que retorna cheio de peixes e de histórias que eu já sonhei. Seria tatuagem no ar, que não apaga e também não se vê.
A ponte do olhar não se podia cruzar sem chegar ao desconhecido. De outros cheiros, outras luas, outros movimentos. É adentrar uma floresta pela primeira vez. Novamente. Aprender a chorar de medo do amor e gostar do próprio sal.
A ponte do olhar não precisa visão.Feita de poesia, flutua doce em um mar entre o líquido e o concreto, o real e o possível. Tão rara, tão essencial. Vasta e estreita como o canto dos sapos quando a noite cai.

14.1.14

no seio desse problema cármico, um leite azedo, alimentador de lágrimas de silêncio, afogadas no meu próprio sal.
nem chegam a correr, se represam no coração. rio assoreado de emoções.
de cima do meu cavalo, fica difícil deixar a vida evoluir nesse ponto. quero guiá-lo, mas não é domado. tombo forte toda vez. são impulsos, que desconheço, não controlo.
ainda preciso aprender. tanta. coisa.

28.12.13

Montanhas tropicais

Essas montanhas atlânticas despertam vontades de ir. Acordam sentimentos de mundo.
Em alturas, anunciam o tamanho da vida.
Saia verde de Yemanjá, casa de Oxóssi, guerreiro das matas. 
Carregam segredos que só as montanhas tropicais podem carregar. Segredos que prezamos desconhecer, ainda que curiosos não deixemos de buscar.

26.12.13

Quintal



As folhas pararelas, como vidas irmãs, sempre se encontram no infinito. Quintal manso de intensidades mineiras. Quintal de quem gosta de frutas. E eu gosto de quem gosta de frutas.

26.9.13

verde remanescente

as estrelas gordas desse céu diziam, que a mantiqueira me queria como eu ainda quero ela. para sempre um verde remanescente, chorando fino, formando rios. ando caminhos de terra, comendo cheiro de mato e poeira. escrevendo meu destino serra acima, serra abaixo. me arrisco a ser uma flor comestível, só para subverter o paladar e aprender a comer beleza. já não preciso de certeza para ser eu mesma, meu verde remanescente.

9.9.13

Temperaturas complementares

Suas mãos quentes se refrescam nas minhas frias

A ponta gelada do meu nariz
dorme quente nos seus olhos

Se choro, é porque me permito
viver a utopia
de ser para sempre com você

Nesta busca eterna de complementar
temperaturas, temperamentos







Em casos de desespero

Também fiquei atordoada
Lamento - e sempre lamentarei -
triste
a decisão da partida
antecipada da vida
   
Que se deixa ir
já sem recursos
já sem esperança
já sem aquela fé urgente

Deixo-me invadir pela dor,
deixada e partida,
pois compartilho
da profundidade de um grande amor

Que a fé sempre ressuscite o amor
ainda que seja o próprio
em casos de desespero







2.9.13

ao imaterial da revolução

"tem gente que me chama de romântica. dizem: o mundo não é assim"
como, então, será mundo?
o que, então, valerá a vida?
se não for a busca por condições e pessoas plenas?
se não for pela fé em si mesmo e na sua comunidade?
se não for para amar seu lugar?

todos os dias nos vendem sonhos que nunca foram nossos
e que certamente não nos trarão felicidade
sonhos que quase sempre são sobre ter coisas para ser alguém

enquanto a felicidade está no centro de nossa "casa"
saímos desesperados para encontrar fora algo pronto 
mas creio que a felicidade não tem nada a ver com a palavra "pronto"
é preciso saborear a criação e a realização para sentir alegria

não é simples criar e realizar micro ou macro revoluções
sobre essa tal felicidade
sobre essa ideia de que a beleza está dentro de nós
de que unidos venceremos

até porque fatalmente as conquistas materiais destas revoluções
poderão ser destruídas pelo tempo ou outras questões
e sempre serão necessários novos movimentos

mas o imaterial destas revoluções não se acaba
perdura e cresce
é preciso se expor a elas para manter a fé
e tatuar o imaterial de suas conquistas na alma

19.8.13

Lugar para a rede

Nas paredes, eram preciso os quadros
No coração, um pouco mais de certeza
A verdade é que as dúvidas teriam que sair
Ocupavam espaço demais
Ela tinha outros planos para aquele lugar
Uma rede para balançar a emoção
Suavizar os pés no chão


11.7.13

Madeira nobre

Tudo ali cheirava madeira nobre, dessas que hoje nem pensar. Era como viver com seguidas gerações curtidas naqueles armários, verdadeiros tonéis emocionais. Essas madeiras que simbolizam o que dura "para sempre" e que valem ouro por isso. Por durar. Inegável valor, contudo com o peso inevitável da eternidade.
Como o próprio fio cultural - mais do que genético - que liga as gerações. Essa madeira nobre que faz de nós uma civilização, esse armário antigo transmitido de pais para filhos sobre como ser, como conviver. Isto que de alguma forma mantem uma certa sobriedade do mundo, mas com um "verniz" fino por sobre a verdade de que tudo se decompõe, para compor novas coisas, novas emoções, mesmo as madeiras nobres, mesmo que leve tempos.
Ali, naquela sala, me perguntava se conseguiria me desfazer do valor da durabilidade daqueles móveis antigos e nobres, para compor novas paisagens internas e destilar minhas emoções em tonéis de outros materiais. Contudo, sem dúvida a qualidade do novo estaria aquém daquelas madeiras, rainhas da floresta (que hoje nem pensar).
Sem perceber me perguntava na verdade se poderia me libertar destes armários de civilização que moldam tanto e tão fortemente meus hábitos, meus medos, meus sonhos....de uma forma que me prende, mas me mantém sã e segura. Quereria mesmo essa liberdade? De que me valeriam novas paisagens sem segurança, sem lucidez? Mas de que valeria a durabilidade sã e segura de uma "prisão"? Algo me sugeria que não haveria resposta possíveis para tanta dicotomia. De toda forma, na dúvida, penso em manter alguns destes móveis, mas não todos...

1.5.13

Beira do mar

Na beira do mar, ela plantou bananeira. Colheu frutos de primeira. Lá ela se despediu daquilo que precisava partir com a maré. Maré cheia, camará. Trouxe ventania, levou a paz. Não tinha nada ver com tristeza ou alegria. Era antes um espírito consciente da complexidade do existir.
Se pudesse escolher seu destino, certamente ficaria com sua própria vida. Com suas cores, suas dores, seus sorrisos de verão, suas lágrimas de crescimento.
Na beira do mar, ela sempre se encontrou com suas dúvidas e certezas. Com o silêncio maior de Deus. Lá onde o sol se punha a tomar sol. Lá onde o céu voava nos passarinhos. Lá onde ninguém era maior do que ninguém.
Se tivesse que presentear alguém com algo valioso, seria com um simples passeio na beira do mar.

1.4.13

Como rajada de vento

Ela chegou como rajada de vento nos sentimentos
Levantou a poeira, iluminou pensamentos
Vê-la e ouví-la cantar era mais que se emocionar com a beleza de uma arte bem feita
É sentir essa vida brasileira de sambas de roda, de chulas, de fados e rocks
Voltar para Bahia e lembrar da sabedoria doce de seus poetas de mar
Mais que tudo é sentir alguém se realizando plenamente
E, assim, espalhar luz e força por milhares de quilômetros
É vivenciar uma força da natureza
Desde de que exista fé e, como sua consequência, coragem
Gratidão, Bethânia!

15.3.13

Brasil

A miscigenação que estampa minha pele
Minha condição multi-continental
Fatores genéticos de ser um ser brasileiro
O resultado dessa mistura de raças
Minha raça vira lata

Que mistura os genes e o paladar
O humor e a fé na vida
Que nos une e nos diferencia

Essa verdade contraditória
Da paz que vela nossos abismos sociais
Da alegria que se confunde com resignação
Do povo explorado que paga pau para o explorador
desde o descobrimento

Mas também de um povo que resiste
e reinventa uma subversão cotidiana
Da intensidade genuína de uma multidão de brasileiros
que aos poucos transformam o país

Esse país cheio de influências,
mas com sua estampa própria
no modo de fazer a vida




25.1.13

Amado Jorge

Ainda não li todos seus livros,
nem andei por todas as suas ruas
Mas por onde passei,
a Bahia passou em mim

Me temperando de dendê
Me levando e trazendo com a maré

Não senti todos os seus cheiros,
nem entenderei todos os seus segredos
Mas o que vivi nessa terra,
Desperta o que vive em mim desde a África até Portugual
Desde a habilidade dos Paresis à bravura dos Guaikurus

Me enfeitando os sentimentos
Me enriquecendo por dentro







19.12.12

novas cicatrizes

novas cicatrizes. dores de crescimento, que não pararam com o findar do crescimento dos ossos. definitivamente, os ossos têm muitas mais possibilidades de dor. mas - sem querer cultuar a dor -  me sei mais bonita depois delas. me sei mais, depois delas. me respeito mais, em função delas. sou grata as minhas dores. só porque elas me capacitam a identificar meus presentes de felicidade.
poder andar certamente é uma felicidade incrível. ir de um ponto ao outro. eu amo meus pés.
poder ouvir bob e escrever, com minha cachorra dormindo ao meu lado, certamente é outra felicidade enorme.
chegar em Piracicaba depois de horas no trânsito de São Paulo é sublime.

5.10.12

Fique atento!

Fuja, não tema. Nade, não morra. Venha, não pense.
Por onde se viu, o espelho quebrou.
Não vê? O espaço é seu.
E o tempo também!

Tema, não fuja. Morra, não nade. Pense, não venha.

Aquele que foi, seguindo a manada.
Não foi: ficou preso e parado no fluxo.

A inércia é uma lei da física
Fique atento!

15.8.12

Veja Alice

Veja Alice: os traços do rosto e as linhas de pensamento, já não são os mesmos. O olhar conhece mais da vida e das lacunas. Alice, tanto eu, como você, sabemos hoje identificar um momento de felicidade que não se repetirá.
Embora nos esforcemos, sabemos: nossos momentos de felicidade não se repetirão.
O problema não é estarmos distantes, não são os momentos que não estivemos um ao lado do outro. A questão toda é a intimidade contida.
Independente do que nos ocorre (ou ocorreu), conheço algo seu de um jeito impossível para outro. Você, por sua vez, conhece uma essência minha, que não será notada por outra alma. Mas o fato é que nos deixamos e, ao fazê-lo, renunciamos ao mergulho no conforto de conhecer e se sentir conhecido.
Quando nos vemos, sentimos uma felicidade triste. Pois, sim, é um presente que tenhamos alcançado isso. Não acontece muitas vezes na vida. Em algumas vidas, sequer acontece. Contudo, reconhecemos que essa intimidade, essa intimidade que nunca morrerá, estará para sempre contida nas escolhas que fizemos. E esse conter é o que mais nos dói.
Nos dói saber que nos sabemos, mas não mais mergulharemos nisso, simplesmente porque não quisemos no passado e não queremos no presente.
Fica a felicidade pela conquista desta preciosidade rara que é a intimidade e a tristeza por sua renúncia.
Não há intimidade que se acabe, há apenas intimidade que se cala, por não valer mais a pena.

10.8.12

a sorte principal

no meio do caminho, tinha a pressa. a pressa, no meio do caminho. subtraindo meus carinhos para comigo. algo se quebrou definitivo. e eu preciso de uma nova assinatura.
eu sempre preferi olhar pelo lado da sorte.
contudo, não poupei lágrimas e não fui o melhor de mim. pois para agradecer a sorte, é preciso antes expelir as revoltas e dúvidas da alma.
a sorte principal é que não me falta amor. ainda não expeli tudo.


1.6.12

escrevendo para


passinho pequeno para os dentros daquela arte
chega, assim, de mansinho
iluminando, bem-vinda, os espaços fechados


num como a vida poderia, sem explicar, ser
como aquela aguínha limpa de rio ainda pequeno


lavar o rosto pela manhã é sempre nossa eterna vida às margens de rios


o céu anunciando uma nova obra
a cada suspiro
e o olho gasto por "la computadora"


mas a alma livre se recusa a gastar
e remedia, reinventa as partes gastas, as sobras, os resíduos do ser..................escrevendo para escrever. 

11.5.12

pedreira de pensamentos

respirou a vida toda. mas era, ainda assim, muito difícil reparar constantemente no ar entrando e saindo. ali morava um silêncio primordial, mas ela mordia os pensamentos. agarrava-se as eles como tesouros, grandes descobertas. o dente trincou de morder e o pensamento foi moído. diluiu-se no sangue e ocupou todo o espaço. o silêncio se calou.
durante a noite, enquanto todos dormiam, ocupava-se de triturar pensamentos. como um vício, sem parada. já tinha pilhas deles triturados. de um tanto capaz de cimentar uma casa, quem sabe um edifício, quem sabe uma cidade inteira.
mas aquele material triturado não construía nada. ocupava muito espaço, só que ao pegar se desfazia no ar.
ao poucos (não de repente), ela foi se dando conta e se arrepiando com aquilo. era uma colecionadora de pensamentos triturados. aquilo não servia para nada, apenas para ocupar espaço e tempo. 
ainda que fosse difícil, ela iria se focar no ar entrando e saindo...libertando os pensamentos, abandonando sua pedreira.

28.2.12

Pará à vontade


Pará à vontade
conhecer o mundo mais pelos olhos do outro
como se minha visão não alcançasse,
e de repente,
a mão acolhedora no norte
me faz saltar o precipício entre as regiões do páis
....que agora, ficou para trás.

as novas cortinas se abrem.
o meu encontro com o rio Amazonas à noite
não podia ser diferente
todo mistério, tudo que é grande,
merece o encanto da noite.

nas rodovias: buracos
"typical bad", explicamos para o gringo
mas há os cupuaçus nas barracas
e o pés de açaí oferecendo, como sempre,
um show de elegância amazônica.

além do exótico esperado do norte,
tem a beleza das pessoas
reais, únicas, universais.

9.2.12

Plantei na terra a semente que quero ver nascer em mim. Se precisar de água, eu choro, eu transpiro, eu rio. Se depender de mim, não vai faltar fertilidade, pois composto os dias, as palavras, os sentimentos das escolhas, dos anos para recriar minha força em busca do sol.
No centro desta semente, o pontencial de um alimento, de uma verdade mais próxima do que sou, para que estou.
A planta não cansa de buscar o sol, nenhum ser cansa de buscar alimento.... nem nós deveríamos nos satisfazer com alimentos que não alimentam, sejam eles objetivos ou subjetivos.

2.12.11


Caçadora de vontades, ando em busca do que quero. tento avistar no jardim alguma palavra, um sinal, o esboço de um caminho. Mas ouvi daqueles educadores de pés de manga que o caminho se faz caminhando. e eu continuo. subo o morro, desço morro. fui pro norte, vi bonitezas por lá. a grama do vizinho. Desci pro sul, amei meu lugar, quis fugir. Andei a pé e sozinha. solzinha. Comi as amoras sentada na sarjeta tingida daquela cor. Fui criança de sítio. Sorte pura. Aprendi sobre minhocas e sobre brigas de adultos. Como é importante amar e respeitar seus irmãos. Brinquei na rua e sofri de ver que o dinheiro faz muita diferença na vida das pessoas. Mas fui feliz de sentir que o amor é a maior riqueza que alguém pode ter. Agora sou mulher, adulta, mantenedora da minha criança interna. Encontro com as pessoas, mas sinto muita saudade de 'encontrar' com as pessoas. Continuo amando os cachorros e desejando muito a liberdade deles. estou caminhando. Não sei bem a direção, sempre mudo de idéia. Mas acho que é assim mesmo.
quais as frutas maduras deste quintal? os passarinhos advinhariam. ela sabe nome de passarinhos. eu acho isso bonito. quais as durezas da minha alma? meu espaço interno, fechado. duro como a dureza de madeira antiga, árvore forte da floresta. meu coração não tem mapa pra chegar. é verdadeiro, mas escondido em mata fechada. índio bom, meu protetor. mas do mundo ainda espero poder provar mais emoção, sentir as folhas nas pontas do dedos, meu peito aberto em um rio, olhando o céu, suas mãos, minhas mãos;
uma saudade de mim deste jeito, neste prato de letras, neste canto retinto. nesta página amarela. o cheiro da minha palavra. o sabor da minha pele que só sai escrevendo. o tempêro orgânico e ela. ela. aprendo a ser eu com ela. ela vai e eu fico comigo. eu fico comigo e ela vai com ela. dormimos sozinhas, mas uma ao lado da outra. o casamento de duas almas pode ser profundo no entender da companhia, mas no aceitar da solidão inevitável da jornada de cada um. que a morada seja aberta, mas protegida. que a verdade de cada uma seja mais forte, que as fraquezas. que as fraquezas, sejam trabalhadas com a terra, as letras, o suor, o amor, a fé.

o fundo da minha solidão é gostoso
só quando aceito minha condição singular
é que sinto o gosto da vida
e a verdadeira natureza do amor

meu choro de solidão é bonito
minha água, minha alma
meu rio de sal

quando ouço meu coração bater
é que parei para escutar
o que acontece todo tempo

e parar para escutar é prenseça, presente

elomar me acompanha nesta solidão feliz
banhada de lágrimas
internas


22.9.11

Nos fertiliza


um rio branco
sem linhas

margens difusas
e o barco vazio

cheio de espaço
e tempo

um futuro
que não se pega com as mãos

pois o presente
nos inunda
nos fertiliza
com a umidade
de um rio de lágrimas

15.9.11

Muito além da poesia

uma nova era de poetas disipam interiores pelo mundo em palavras digitais. parecem mais perto
que a página de um livro. parecem mais próximos que os antigos.
são mais vivos, mas não mais próximos. não se iluda. porque escrever sempre é muito longe. quem lê entende. sentindo. mas não acessa.

desde tempos se escreve muito. para chorar em pensamentos, salvar uma emoção, para cuidar, para enlouquecer e tudo bem. a diferença é que os caderninhos de bolso não voavam para casas desconhecidas, a não ser que o autor quisesse e se esforçasse um tanto para publicar.

hoje, não. fácinho entro na minha telinha e escrevo e alguém me lê. amigos ou não. e eu leio um monte de interiores desconhecidos.

alguns me tocam.

mas são tantos, são tão muitos, que eu me perco. e volto a ler meus livros. dos antigos, mais próximos (porque eu os pego, cheiro,....porque estão na prateleira que foi do meu avô, porque tem capa e dedicatória).

e ser mais próximo é um passo para um sentir mais profundo.

agora, sobre acessar. só mesmo através do amor e ele é muito além da poesia.



9.8.11

Caixinha de sapato

coube dentro daquela caixinha de sapato. durou muito tempo. só ontem ela saiu, com o céuzão azul sorrindo pra ela. hoje, tomou chuva, bebou chuva, se molhou chuva.
quando o moço, que atressava a rua, disse: bom dia! ela caiu de bunda no chão. quando ele ofereceu para ajudá-la, engasgou e queimou as bochechas.
é que a caixinha de sapato já não cabia dentro dela.

1.8.11

quem eram?

quem eram aqueles
correndo pelados na mata
sagrando o peito
em poesias vermelhas?

quem eramos nós a olhar e chorar
de emoção atrapalhada
escondida em baixo dos livros
empilhados em nossas cabeças?

quem era aquele maluco
a profetizar palavras de liberdade
em forma de música?

quem, quem eram aqueles que conzinhavam
como se conzinhassem para deuses?

quem eram aqueles sabedores
de todas árvores e suas épocas?

quem eram aqueles que cultivam a terra,
como quem cultiva o amor?

eram seres artistas, libertos por alguns humanos

a música continuou

o rio levou a música
a rolar pelas pedras
e praias mansas
sem ondas

o mar criou o mantra
e evaporou a nuvem

a nuvem choveu música
sauve na mata
pesada no barracão de zinco

depois da chuva,
a música voou
foi em um sabiá

no homem,
a música continou

aberto no tempo

a invenção de si

um espaço aberto no tempo

a possibilidade de um corpo
humano
ser

um espaço aberto do tempo

uma nota: o cantor sorriu
a arte produzindo a existência

um espaço aberto no tempo

22.6.11

que ficou para trás

o corpo deitou-se involuntariamente. seria falta de nutrientes? ou algo mais fundo na alma?
as pausas que pede o espírito, estão mais frenquentes que de costume
os passos largos de um crescimento contínuo
os pés que intuem a terra
o cheiro da cachoeira que ficou para trás me chama
e eu durmo para me preparar

28.5.11

Dou graças

dou graças aos loucos, aos desvairados
a todos os artistas insistentes, insanos
que vivem não se sabe como
que nos salvam da padronização sem fim

dou graças a todos que desafiam
a ordem "natural" das coisas
que propõe novas lógicas
que não se dão por satisfeitos

dou graças aos que cantam e dançam
e berram
afinam e desafinam

e sorriem no final
no meio e no ínicio

(em homenagem ao músico Zé Geraldo)

22.5.11

partículas em suspensão

as partículas em suspensão dentro do líquido a beber
eram meras evidências
de que nem tudo é transparente como se supõe

e mais que isso
de que nem tudo que é transparente é melhor

quem viu o avô cantar a benção para a neta
advinharia as lágrimas de uma emoção bruta

porque a vida é bruta
por vezes, mais
por vezes, menos

e saber rir é temosia da alma
é acidente natural
é sorte grande

quem ri adulto, já sabe
que a felicidade está para além
(e muitas vezes na beleza)
das partículas em suspensão

20.5.11

Na boa

o sol me abraçou quando sua voz ficou longe demais pra acolher quem ficou
no caso: eu

as flores amarelas e rosas também abriram seus braços
assim como o porteiro e a negra com a criança atravessando a rua

todavia, não trago um sorriso na boca
na boa, as vezes é assim

11.5.11

avenca


o dia passa, a noite dorme
o tempo acumula experiência em nós

há lágrimas escondidas
dores de crescimento

uma avenca linda e delicada mora na sala
fala sobre respirar e olhar para fora

na vida alguns valiosos amigos
e a saudade da leveza com eles

se antes a leveza era por natureza
hoje é por cultivo

a pressa para pegar o trem, não faz sentido
se o que importa não está lá

26.4.11

Pedido de socorro

botas de sabão, saída de emergência, só o céu na estrada solitária resgata almas elameadas.
buraco: o rato na beira do rio, também é meu irmão.
rima, nunca existiu. não escrevo para ser bonito. não escrevo há um bom tempo.
há um bom tempo não vejo meus amigos com calma no coração.
há um bom não.
qual verdade sai deste papel? não sai verdade nenhuma. de lugar nenhum.
aqui se planta sentimento, quando o tempo é bom.
no meio da tempastade, é um pedido de socorro.

1.4.11

cadê o meu cardume?


que onda me engoliria de um mar em que não entrei?...só vi quando já estava envolta pela água caótica, apressada, desesperada para chegar em qualquer lugar. só conseguia pensar no que fazer para respirar e em alguns raros segundos ainda refletia: como vim parar aqui?

com o tempo a pergunta se liquefez e eu virei peixe, desenvolvi brânquias, mergulhei em mim. com ajuda, vi que este é um caminho conhecido no meu labirinto: eu sei ir sozinha. mas não quero mais.

não sou peixe solitário, cadê o meu cardume?

10.3.11

Cisne negro e o carnaval


venha abrir meu carnaval,
desfilar na minha avenida

mas não se assuste se o cisne branco,
ficar negro

ele mora em todos nós
só muda a alegoria
e o tipo de alegria

no quesito esquisito
todos temos nota 10
toda escola ganha

só falta mesmo fazermos a grande festa
para comemorar a diferença boa que nos une
para desfocar do homogêneo
que cinza os dias fora da serpentina
tire sua máscara diária e
viva a nudez de sua roupa de carnaval

3.3.11

status

o status que me interessa é ser verde atlântica, é des-cobrir as pessoas vivas por detrás dos cartões de visita, é exercitar minha originalidade de dentro pra fora. status para mim, não é a vista para o mar, mas linkar minha alma com iemanjá. meu status é enxergar os presentes escondidos, como passar pela vista chinesa no Riio e não parar para vê-la, mas vibrar com o sorriso interno do taxista carioca passando pela primeira vez junto comigo na famosa e radiante Floresta da Tijuca. desaquietar o coração com o que me importa, para depois aquietá-lo na tranquilidade da minha consciência, é meu status de hoje (e sempre).

16.2.11

o casulo e o dengo


sim, foram as postagens de travesseiros e a tradução dos sonhos adultos (que entendo, mas finjo que não) que trabalharam minha cabeça. meu corpo de novo me lembrando a realidade imensa de ser mulher. a vida inteira. e todo mês. e todo mês.
foi com o suor do corpo que a dor se foi. mas mesmo sem dor, ficou o "in", o "ai", o dengo e o casulo.
nesses dias fico mais perto de Deus. o ritmo é obrigatoriamente: natural.
nesses dias, poderia escrever um livro inteiro de poesias, abriria uma pousada na beira da praia só para esperar para ver se o mundo acaba mesmo em ondas. venderia tudo que tenho e iria passar um tempo na Índia, para aprender a lidar melhor com o tempo.
a importância de tudo se relativiza, nesses dias. e eu me permito dormir um pouco mais.

15.2.11

só tem começo

todo ano o grande sertão veredas começa em mim, como se pela primeira vez. mas isso é um pouco mentira, pois já me acostumei um pouco mais, entendo ou desentendo um pouco mais. acho que tem mais sertão em mim a cada ano. tudo aquilo que o sertão de cada um arrepia. Deus! E o diabo? deixa pra lá....gosto mesmo do descanso da certeza do cumpadre Quelemém, igual no centro, onde segunda vamos colher entendimentos mais fundos. ah, e Diadorim? te adorin...queria que fosse o que era, mas já sei seu segredo, mesmo sem ter chegado ao fim que talvez não chegue. porque o sertão não tem fim, só tem começo.

9.2.11

alegria de mangueira

piracicaba me deu um presente:
a redescoberta da alegria de mangueira

coisa fina, digna de ser sabedoria de criança
esse calor, resgatou minha infância

salvou meu almoço
pois sem o banho de mangueira,
agora
só fingiria não dormir
e dormiria sem querer

melhor ainda poder ser assim,
nada além de uma mangueira
alegria ascessível:
todo mundo pode
mas nem todos se permitem

(quase que eu não
mas aquela com quem descubro e cubro e descubro a vida,
me banhou de certeza,
que, sim, nossa criança podia, queria, ia.
e foi: agora.......

4.2.11

se fosse


se fosse, hoje, criar uma religião
meu Deus seria a água

se fosse rezar,
nadaria

se, hoje, fosse seguir uma religião
continuaria a seguir
a mesma que sigo hoje

do amor das gotas de chuva

se fosse entender Deus
ficaria tranquila de tudo
:do que sei
:::e do que não sei

2.2.11

diga-se de passagem

naquela estrada entre o mundo e o mundo dela, havia um portal, que não era mais que um lugar chamado Km 95. se passava para ir, passava-se para voltar.
ir para o mundo, sempre trazia preguiça e determinação (dois sentimentos que podem se dar muito bem, diga-se de passagem).
ir para o mundo - aquele - era "pancada", como entrar numa roubada sem saber. como entrar numa briga e acabar gostando de brigar. como se apaixonar pelo cafajeste. como se envolver com a solução de um mistério que nunca existiu.
lógico que no meio de toda a "pancada" entrava luz, cultivava-se beleza em alguns espaços minúsculos. aqueles jardineiros de beleza e bondade no meio do caos, ela só podia admirar, verdadeiros guerreiros sem armas.
não à toa, na volta, chorava, as lágrimas que todos seguram naquele lugar. chorava sem parar...que por vezes, fez o rio transbordar e alagar e levar e trazer movimento para certezas cimentadas.
quando chegava ao km 95, as lágrimas secavam, tamanho era o céu que via de lá, a dança lenta das nuvens e principalmente a calma da existência verde das folhas. e se chorava novamente era de paz, de voltar ao seu mundo e regar aquela calma.
voltar sempre trazia cansaço e alegria (dois sentimentos que podem se dar muito bem, diga-se de passagem).

20.1.11

com sorte, passou na rua de hoje um homem de certezas. quem pudesse ouvir seu coração, acertaria a cor do céu e poderia fazer um pedido para a estrela imaginária. aqueles que fugissem de seu olhar, fugiriam de si mesmos e chorariam uma chuva fina.
o homem passou com sorte, mas a sorte ficou comigo, por um desses acasos da vida. de repente, olhei a minha volta e todos meus pedidos antigos estavam se realizando. mas a sorte não era a realização deles, mas eu poder perceber isso.
aquele homem era assim: presença e risada, simplicidade e certeza: de que as dúvidas sempre farão parte, de que o máximo não mora lá, mora aqui; neste segundo. nesse pedaço de pão inesperado, bonito, presente. verdade.
se pudesse, abraçaria aquele homem e diria: venha morar nesse jardim, plante o que quiser, vá, voe nestas nuvens, prove das cores de Deus, desfrute essa música com seus pés balançando na rede, fique a vontade para chorar as lágrimas do dia, para suar as poesias que declamou com os olhos. venha, sente-se nesta grama de evoluções e durma todos os seus descansos e acorde quando quiser, quando puder, quando sentir.
esse homem que sou eu e é você, e que é, inevitavelmente, todos que os passaram hoje por nós e que nos olharam e respiraram e trabalharam e comeram e se foram com a certeza de existir.

18.1.11

acordei por pura superstição, fingi que as folhas do coqueiro me falavam bom dia e fiquei feliz. quando abri a rede, encontrei a poesia daquele olhar calado. chorei de beleza. eu gosto muito quando a combinação das palavras faz isso comigo: acredito mais no ser humana e um abraço ocupa, imaterial, o quarto.

11.1.11


o barulho dos meus pensamentos, fez calar minhas palavras de cura
só agora posso silenciar novamente os cantos da minha natureza interna
a reza que sempre quis, regou meu broto: agradeci e chorei.

quem de novo veria meus olhos,
seriam os espelhos que vemos nos outros
que paz me alcançaria,
eu já podia sentir uma amostra.

sem sair por aí para ver as repostas do mundo,
senti e olhei para dentro:
o mundo se ampliou.


9.12.10


criou, bateu, caiu.

quem subiu de novo, mais uma vez, no cavalo, viu: o tombo é do tamanho do seu medo. o meu ficou menor. vejo com mais clareza todos os nossos. os medos não são só meus.

e como que com coragem, galopamos como que sem medo, rimos como se felizes, conversamos como que naturais.

fingidores de superação e quando vimos, estavamos quase lá.

8.10.10


não haveria terapia possível
para aquela dúvida
nem mesmo a poesia
me salvaria
eu só sabia
o que ainda só sei agora

que os encontros acontecem
e, as vezes,
despertam
um jardim dentro de nós

a "saudade do futuro", como diria joana
deixa o jardim
à flor da pele

9.9.10

se desde antes eu pudesse saber
meu sorriso não seria tão sincero

autêntico jeito de me encantar
com a liberdade alheia

que mais do que nada reflete a minha

esse foi o maior presente
reencontrar minha liberdade

entre o mangue e a restinga

2.9.10

concordo que as palavras sejam incapazes
de explicar o sentimento do mundo

mas é só através delas
que consigo regenerar
meus profundos cortes internos

1.9.10

a borboleta que sempre amei
começou a me dar medo

não era mariposa
era uma borboleta preta

mesmo admirando seu vôo
(aquilo lindo da liberdade)
passei a sentir medo

medo do que era capaz aquela liberdade

pois ela já tinha me ferido
aconteceria de novo?

ainda hoje não tenho a resposta
hoje ainda sinto medo

e sinto no corpo
o peso do choro
que não transborda

olho a borboleta preta
e já não sei se é real ou ficção
os motivos do meu medo

fecho olhos sem saber
como amar a borboleta
e me proteger
das loucuras de sua liberdade

24.8.10

sim, a maior palavra dentro de mim neste dia é "agradecimento". simplismente porque estou viva e também porque tenho a sorte de ter muito amor na minha vida. mas este é um novo jeito de comemorar, um tom mais compenetrado, uma sensação presente na sombrancelha, um olhar firme para o futuro, mas também uma maior capacidade de ter prazer com as coisas mais corriqueiras da vida, como dormir na própria cama ou comer no aniversário a comida mais simples e deliciosa feita por meu amor. ares de saturno e de saber já me tranquilizo.

13.8.10

aprender a voar não é uma tarefa fácil e eu enjoei em um dos treinos. as asas que desenharam no céu suave linhas brancas no azul explícito, se encolheram na noite escura em uma solidão impossível, que só se sente quando a saúde vacila. uma solidão que é o único caminho para chegar a algo espiritual. uma solidão que traz a consciência do mistério de tudo.

saber dos movimentos arquetípicos, me ajudou neste sentimento.

4.8.10

que a mudança é a única coisa certa
eu já sabia

mas não me venham dizer
que, por isso,
não a sentirei

se viro a cara
é porque preciso
para reequilibrar meu labirinto

3.8.10

quem quisesse sair pelo jardim e escolher sua flor, poderia. eu queria que ela me escolhesse, encolhesse, que pudesse dormir nos seus galhos, respirar por suas folhas, sentir a companhia dos milhares de seres, estes tantos. mas ainda não tinha sabedoria de árvore, alma de flor. quanto tempo precisaria? algumas vidas, quem sabe...até poder entender a unidade de tudo, até poder aceitar.

7.7.10

quem planta, poda

lidar com a vida
ensina a lidar com a morte

prefiro estar assim
a disposição dos ciclos da vida

do que inventar uma imortalidade
que só nos faz correr atrás do passado

para ver o broto novo nascer
é preciso que a árvore antiga se vá
a floresta nos diz isso

em toda morte há um lindo nascimento

24.6.10

o pássaro que voa e sempre está onde deveria estar. a montanha que acolheu minha lágrima. ela é grande, como muito coração por aí. me apaixonei pela mantiqueira mais uma vez. sentei no fim do dia e agradeci. na verdade, tentei agradecer. a vida é generosa com quem se movimenta, já tinham me dado esse presente. hoje, agora, estou sentindo a generosidade da vida. que é simples e quente e com certeza transborda verde e pessoas com olhos de luz.

25.5.10


esbarro no espelho e vejo:
um limite tão claro
como a lua

aceito a introspecção do astro
e seus ritmos secretos
...em mim

20.5.10

como se precisasse alimentar um ser que depende de mim para comer, procuro palavras para compor minha poesia interna, que me salva do corriqueiro dos dias, das metas e das certezas incertas que adotamos para seguir andando com passos largos e vigorosos. Só isso não me bastaria, se não pudesse ter a curiosidade sobre todos aqueles olhares de metrô, sobre uma alegria sútil daqueles que vendem frutas e verduras, se não pudesse olhar nos olhos do meu amor e ver "a pessoa" que mora ali, se não pudesse me sentir aqui, neste exato momento, me acompanhado de mim e me colorindo com uma combinação de palavras que tem a magia de me fazer sentir livre.

13.5.10

largas paisagens. o que cabe no coração?
pessoas sempre sentem. as pessoas sempre têm um pedido de carinho.
quem sabe o que o outro pode me fazer ver?
o que o outro ponto vista pode me mostrar?
não cabem verdades largas dentro de mim
mas sim largas dúvidas

e um profundo querer evoluir

10.4.10


Encontro gente forte de veredas, resitente a lonjuras do coração, o que me dá buriti dentro do peito.

8.4.10

Sonho de quem voa é nuvem. E, nessa, comi um grilo dormindo de boca aberta. Que grilou meus pensamentos, mas uma perereca otimista pulou anfibiando as quentes cascas grossas de minha árvore interna, filha da idade do céu, como um pequi de troncos tortos e bonitos.

19.3.10

girou o espaço em branco. que o movimento colérico ocupou mais espaços do que os que existiam. foi suando que o que sobrou se liquifez. fez bem para a saúde suada de quem capina a lavoura da alma. pois é uma maravilha quando se aprende a pedir ajuda no necessário.

8.3.10

se pinta um clima, eu sei
um interesse interessado
o olhar de quem vê a beleza e: interessa-se
afinal concordamos que gosto não se discute
ainda mais porque gostamos das mesmas qualidades

todas aquelas coisas desimportantes
que mantém a respiração e o sorriso da menina dos olhos

então, está tudo certo...

28.2.10

o mundo ficou maior. eu reconheci e throw up tudo aquilo que ainda não posso digerir. muito menos engolindo a força através de um desses aditivos a qual recorremos quando nossa emoção parece demais. nesse mundo maior, de repente fico a me procurar: aquele quarto escuro. onde o escuro assuta, mas não mata. isso eu sei.

25.2.10


as horas
o tempo

na imensidão do espaço
quantas realidades coexistem?
em um breve espaço de tempo
transito por freqüências distintas
sonhos compostos por opostas paisagens

homens bem vestidos em uma linha do metrô
uma multidão apertada já as oito da manhã
quantas realidades coexistem nas linhas do metrô?

mas há também um cheiro forte de força no ar
vem dos olhares cansados e firmes
coisa dos humanos

não há como julgar
mas definitivamente falta verde

e o azul do céu

24.2.10

vem!
quem vem?
de repente chega alguém,
como água salgada em meus olhos
sorte mesmo é estar perto de quem mostra o amor
aquele que todo mundo tem
mas esconde

5.2.10

naquela relojoaria
o tempo parou
quem tivesse pressa
perderia os presentes escondidos
nos segundos rápidos
dos ponteiros

o moço negro adulto
consertava os relógios sorrindo
com ares de professor
dava pequenas ordens ao casal de adolescente
respondia as perguntas de onde estava tudo
e quanto custava tal e tal coisa

sua concentração não podia se perder
quando um moço baixo, novo
de bochechas redondas
entrou na loja perguntado
de uma pilha x

foi quando o velho sério de pés descalços
sem olhar para ninguém
chegou, respondeu a questão
e voltou para dentro sem mais voltar

então, chegou um senhorzinho
à procura de um despertador para sua senhorinha

- eu queria ver um despestador para minha senhora
- temos estes aqui
- tem que ser barato, porque ela vai derrubar mesmo....pode ser um desse
- hum...este tem uns desenhinhos. olha, este tem uma menina (uma power ranger)
- rs...não vi, acho melhor não. com oitenta anos, acho que ela não vai querer com desenho. quanto são estes?
- 20...tem estes de 15
- não, pode ser um destes de 20
- qual o senhor gosta?
depois de pensar, o senhor disse:
- este

a adolescente habilidosa no cuidado com o senhor pegou, então, o despertador dourado fosco. não tão habilidosa, começou a procurar uma embalagem.
o senhor, sorriu.
- não precisa, pode colocar aqui (na sacola de supermercado)...rs
entregou a nota de 20 e se foi, habilidoso no cuidado com a adolescente.

um senhor mais novo entrou na loja, encostou no balcão
cumprimentou o povo da loja
o moço negro, os adolescentes
achou que o casal de namoradinhos eram irmãos
todos riram

enquanto falava, um homem entrou
- vocês têm serra fio de cabelo?
- que? serra fio de cabelo? - perguntou a menina com cara de meu-o-que-você-tá-falando?
- temos - disse o moço negro
"?", era a cara da menina
- está na caixa em baixo das gavetas

a menina se virou para aquele movél que era lindo pela irreguralidade das gavelas e pelas coisas totalmente fantásticas e misteriosas em sua função como uma serra fio de cabelo.
achou a caixa e as serras. o moço escolheu o tipo, daquilo que se chama serra e parecia um grafite. pagou e deixou a loja.

a menina ria da serra fio de cabelo. o namorado e o moço negro riam dela. o senhor contiuava a falar e rir de qualquer motivo.

então, entrou aquela figura. uma senhora. saia indiana com tons de vermelhos e branco. uma blusa vermelha de um tecido reluzente por dentro da saia. o batom vermelho-vinho que fugia das margens da boca, o cabelo com uma trança enorme nas costas, pintado de um preto muito preto. sorria com uma espécie de loucura doce.
trouxe um relógio enorme dourado e um pequenino com anjos de louça em volta dele. junto com eles, um par de sapatos pretos de bolinhas brancas também foi parar no balcão.
e com graça, logo voltaram para sacolinha de supermercado que a senhora trazia com sua pequena confusão.
- estes dois relógios não estão funcionando. não sei se é a pilha ou está quebrado
a menina sorriu tranquila, trocou a pilha dos relógios, conversou com o moço negro
- vai ter que deixar- disse o moço no fundo da sala em sua mesinha de operção de relógios
- tudo bem - concordou a senhora com ares de quem gostou do fato de que voltaria ali novamente - quer anotar meu telefone? - perguntou à menina
- sim, pode falar
a senhora disse seu telefone, disse também que não lembrava o número do celular e todos os horários que poderiam ligarpara avisar do conserto
- depois da uma...isso, depois da uma é melhor. menos de sexta e domingo...ah, domingo vocês não vão ligar, não é?! - ria com a mesma loucura doce
a menina anotou: ligar depois da uma, menos de sexta e de domingo
- viu, anotei aqui: ligar depois da uma. - sorriu para a senhora, habilidosa em lidar com aquela loucurinha doce

assim que a senhora partiu, o senhor que falava e ria, disse:
- você sabe que é ela?
- quem? - perguntou o moço negro
- ela é a melhor dançarina da terceira idade da cidade. ela e o marido dela ganham todos os concursos
- é mesmo?

no mesmo instante, a senhora entra novamente na loja
- ah, e não ligue de quinta à noite, que tem baile da terceira idade
- estava contando para o pessoal de você
- ah, você viu no jornal, né?- e sorriu com um brio bonito daquela loucurinha doce e partiu contente com o dia ganho

naquela relojoaria
o tempo parou
quem tivesse calma
ganharia os presentes escondidos
nos segundos congelados
dos ponteiros em conserto

o almoço amarelo e branco
arroz e ovo estalado

o barulho da casca direto na frigideira
não está estragado (ufa!)

sal

um furo
a alegria de um amarelo gostoso
se espalhando saboroso pelo branco

sem vermelho, nem verde
apenas isso: amarelo e branco
cor e sabor de infância

25.1.10

o céu soa gritos longos e eu combino com o cinza das nuvens meu humor macarrônico de um inglês que, antes que eu suponha, falará as necessárias frases, of course. nesse embalo de virginiana, afogo muitas lágrimas, para não inundar a chuva. e mesmo assim, sobram inúmeras gotas de sal no canto dos meus olhos, pois não posso afogar todo meu tempêro.
mas isso - das lágrimas - é corriqueiro em mim, pois meus olhos são grandes e meu coração também. então, deixo umas caírem e com as que sobram escrevo palavras para enfeitar dentro de mim, como estevão ou gaudí em suas construções.

22.1.10

andando pelos sertões baixos de minas penso:
"riobaldo poderia ter dito:
- é difícil abraçar o sertão,
mas quando o sertão te abraça é mais difícil ainda."
não se esqueça de olhar para o céu. isso é importante.
o céu seja talvez a natureza diária mais acessível. de tão imenso é possível até sentir medo.
pois ele anúncia a solidão inevitável de cada um.
mas superado o medo - ou ainda com medo, mas insistindo no olhar - algo cintila no ar.
ele tem outras coisas complementares a dizer:
"não precisa ter medo da solidão. há beleza morando nela. e acredite: solidão não é estar sozinho. é antes estar consigo e esse é o primeiro passo para o amor."
um silêncio foi colocado na mesa quando seus olhos sorriram para mim. eu entendi. ou melhor: reconheci. é feliz isso, embora seja uma névoa o contexto do até-onde-se-pode-ir. mas concordo que o tempo trata com destreza as incertezas humanas.

17.1.10

"onde se encontra a beleza? nas grandes coisas, que como outras, estão condenadas a morrer, ou nas pequenas, que sem nada pretender, sabem incrustar no instante uma preciosa pedrinha de infinito?"

a elegância do ouriço - muriel barbery

14.1.10

sim, a mudança que se vê, nasceu a tempos a atrás. e se reparar bem nem foi tão repentina: uma mudança anunciada. é a vontande de seguir em ritmo brasileiro um crescimento de asas espontâneas. se vou, abraço na despedida e juro que não vou sumir, até porque no fundo não acredito em despedidas. e não choro o que passou, sou feliz que existiu e foi inteiro e passou e me faz assim hoje, me sopra pro futuro que desenho num sonho e que de repente tromba comigo no elevador ou na minha própria respiração. acordo dentro do sonho.

1.1.10

ela caminhou e sentou na beira do rio. a temperatura da água e a chuva danada que caia sobre a superfície da água, compunham um cenário digno de agradecimentos. e foi o que ela fez silenciosamente. comunicou-se com algo a que denomina Deus. sentir a chuva no corpo, ver o rio ir reto cascata no mar, saudar a beleza e mistérios da mata, lembrar dos olhos do pai feliz da natureza, mãe no descanso carinhoso, a irmã que rima alegrias cotidianas e o amor brilhando no coração. era um bom momento da vida.

13.12.09

não cabe nesse espaço pouco, na solidão desse lugar de letras, o sentimento quente que senti nos olhos de terra daqueles que já são meus e dos quais eu sou família. as horas curtidas de sol, subidas, cafés, conversas, amizade simples sinceridade silênciosa. a proximação lenta e bonita com jeitos de roça. nos abraçamos em uma despedida regada a lágrimas contidas, escorridas na ciranda mais bonita que já vivi. sentirei saudade de tudo, uma saudade feliz. sou grata. muito.

7.12.09


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As verdades que quis dizer não couberam em minha boca
Mas soube ler o que as estrelas me diziam
Quando sua poesia caiu do céu
E me ajudou a recordar as notas que compõem minha música
Que nunca foi outra coisa se não uma solidão bonita
acompanhada do aconchego dessa família astral
A porta por aqui se abre devagar e não faz barulho
Como as árvores que nos chamam sem falar nada
A profundidade se faz no pequeno dos dias
No nascimento do sol dentro de nós
Diz-me que a amizade é como a banana roxa do seu quintal,
Como os olhos vivos e vividos daquele preto velho
Digo que é como saíra sete cores ou semente de girassol,
Como sabedoria de agricultor e loucura de artista a vida inteira
A gente se abraça concordando com essa beleza inédita que o olhar singular tem
Ainda não descobrimos todas as nossas dúvidas, nem mesmo se elas surgirão
Assim nos seguramos nas mãos sinceras, nos carinhos simples, nos encontros fantásticos
O que existe de quente e permanente na impermanência


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