naquela relojoaria
o tempo parou
quem tivesse pressa
perderia os presentes escondidos
nos segundos rápidos
dos ponteiros
o moço negro adulto
consertava os relógios sorrindo
com ares de professor
dava pequenas ordens ao casal de adolescente
respondia as perguntas de onde estava tudo
e quanto custava tal e tal coisa
sua concentração não podia se perder
quando um moço baixo, novo
de bochechas redondas
entrou na loja perguntado
de uma pilha x
foi quando o velho sério de pés descalços
sem olhar para ninguém
chegou, respondeu a questão
e voltou para dentro sem mais voltar
então, chegou um senhorzinho
à procura de um despertador para sua senhorinha
- eu queria ver um despestador para minha senhora
- temos estes aqui
- tem que ser barato, porque ela vai derrubar mesmo....pode ser um desse
- hum...este tem uns desenhinhos. olha, este tem uma menina (uma power ranger)
- rs...não vi, acho melhor não. com oitenta anos, acho que ela não vai querer com desenho. quanto são estes?
- 20...tem estes de 15
- não, pode ser um destes de 20
- qual o senhor gosta?
depois de pensar, o senhor disse:
- este
a adolescente habilidosa no cuidado com o senhor pegou, então, o despertador dourado fosco. não tão habilidosa, começou a procurar uma embalagem.
o senhor, sorriu.
- não precisa, pode colocar aqui (na sacola de supermercado)...rs
entregou a nota de 20 e se foi, habilidoso no cuidado com a adolescente.
um senhor mais novo entrou na loja, encostou no balcão
cumprimentou o povo da loja
o moço negro, os adolescentes
achou que o casal de namoradinhos eram irmãos
todos riram
enquanto falava, um homem entrou
- vocês têm serra fio de cabelo?
- que? serra fio de cabelo? - perguntou a menina com cara de meu-o-que-você-tá-falando?
- temos - disse o moço negro
"?", era a cara da menina
- está na caixa em baixo das gavetas
a menina se virou para aquele movél que era lindo pela irreguralidade das gavelas e pelas coisas totalmente fantásticas e misteriosas em sua função como uma serra fio de cabelo.
achou a caixa e as serras. o moço escolheu o tipo, daquilo que se chama serra e parecia um grafite. pagou e deixou a loja.
a menina ria da serra fio de cabelo. o namorado e o moço negro riam dela. o senhor contiuava a falar e rir de qualquer motivo.
então, entrou aquela figura. uma senhora. saia indiana com tons de vermelhos e branco. uma blusa vermelha de um tecido reluzente por dentro da saia. o batom vermelho-vinho que fugia das margens da boca, o cabelo com uma trança enorme nas costas, pintado de um preto muito preto. sorria com uma espécie de loucura doce.
trouxe um relógio enorme dourado e um pequenino com anjos de louça em volta dele. junto com eles, um par de sapatos pretos de bolinhas brancas também foi parar no balcão.
e com graça, logo voltaram para sacolinha de supermercado que a senhora trazia com sua pequena confusão.
- estes dois relógios não estão funcionando. não sei se é a pilha ou está quebrado
a menina sorriu tranquila, trocou a pilha dos relógios, conversou com o moço negro
- vai ter que deixar- disse o moço no fundo da sala em sua mesinha de operção de relógios
- tudo bem - concordou a senhora com ares de quem gostou do fato de que voltaria ali novamente - quer anotar meu telefone? - perguntou à menina
- sim, pode falar
a senhora disse seu telefone, disse também que não lembrava o número do celular e todos os horários que poderiam ligarpara avisar do conserto
- depois da uma...isso, depois da uma é melhor. menos de sexta e domingo...ah, domingo vocês não vão ligar, não é?! - ria com a mesma loucura doce
a menina anotou: ligar depois da uma, menos de sexta e de domingo
- viu, anotei aqui: ligar depois da uma. - sorriu para a senhora, habilidosa em lidar com aquela loucurinha doce
assim que a senhora partiu, o senhor que falava e ria, disse:
- você sabe que é ela?
- quem? - perguntou o moço negro
- ela é a melhor dançarina da terceira idade da cidade. ela e o marido dela ganham todos os concursos
- é mesmo?
no mesmo instante, a senhora entra novamente na loja
- ah, e não ligue de quinta à noite, que tem baile da terceira idade
- estava contando para o pessoal de você
- ah, você viu no jornal, né?- e sorriu com um brio bonito daquela loucurinha doce e partiu contente com o dia ganho
naquela relojoaria
o tempo parou
quem tivesse calma
ganharia os presentes escondidos
nos segundos congelados
dos ponteiros em conserto
ótimo! me deliciei com o presente escondido! muas querida!
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