Veja Alice: os traços do rosto e as linhas de pensamento, já não são os mesmos. O olhar conhece mais da vida e das lacunas. Alice, tanto eu, como você, sabemos hoje identificar um momento de felicidade que não se repetirá.
Embora nos esforcemos, sabemos: nossos momentos de felicidade não se repetirão.
O problema não é estarmos distantes, não são os momentos que não estivemos um ao lado do outro. A questão toda é a intimidade contida.
Independente do que nos ocorre (ou ocorreu), conheço algo seu de um jeito impossível para outro. Você, por sua vez, conhece uma essência minha, que não será notada por outra alma. Mas o fato é que nos deixamos e, ao fazê-lo, renunciamos ao mergulho no conforto de conhecer e se sentir conhecido.
Quando nos vemos, sentimos uma felicidade triste. Pois, sim, é um presente que tenhamos alcançado isso. Não acontece muitas vezes na vida. Em algumas vidas, sequer acontece. Contudo, reconhecemos que essa intimidade, essa intimidade que nunca morrerá, estará para sempre contida nas escolhas que fizemos. E esse conter é o que mais nos dói.
Nos dói saber que nos sabemos, mas não mais mergulharemos nisso, simplesmente porque não quisemos no passado e não queremos no presente.
Fica a felicidade pela conquista desta preciosidade rara que é a intimidade e a tristeza por sua renúncia.
Não há intimidade que se acabe, há apenas intimidade que se cala, por não valer mais a pena.
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