28.11.09

nunca se sabe como se sabe como o pôr-do-sol colorirá nossos sentimentos
de cinzas ou vermelhos, verdes alegres
não se sabe do momento da despedida seu sabor
pois na maior parte das partidas
não sabemos que são despedidas

18.11.09

hélio oiticica

foto: http://namb-ualg.blogspot.com/2009/06/ciencias-do-mar-celebram-os-oceanos.html

aquele que ouviu a estupidez do pensamento
chorou remediando o coração do sal em excesso
sem pressa a verdade invade a vida de cada um:
essa verdade sobre quem se é
essas emoções que oceanam nossos olhos
essas ondas de ir para o mundo e voltar para dentro
toda essa raiva que é fato
todo esse amor que é além dos fatos
as explicações terapêuticas, astrológicas, amorosas e artísticas
os braços generosos da vida
os tropeços diários do crescer sem se perder
se perder só se for para se achar
a permissão para a sombra se manisfestar
entender suas mensagens de como cultivar o sol

4.11.09

seja breve em sua tristeza, canta meu pássaro interno. há o sol que pisca ao nascer do dia, seus cabelos crescendo. ondas sonoras e marítimas, lunares e lunáticas comandam seus ritmos. mas se permita não rir por um dia. se permita calar e não querer fazer mais a nada a não ser estar quieta em um determinado lugar. o impressionante é a imprecisão da tristeza: sua largura, mais do que sua profundidade. de onde brota esse isolamento? essa urgência de satisfazer-se do que nem se sabe o que?

2.11.09

banhei o corpo no salgado do mar e, no rio do fim, lavei o bom dia que queria saudar a vida. tenho essa sorte de poder alguns dias do ano dormir no colinho de iemanjá, sentir o azul do céu dentro de mim e rir as rugas de minhas felicidades de sol. o mar, onde encontro o tempo para chorar minhas tristezas e agradecer a vida, onde me espumo como se fosse um champagne de ano novo. esse silêncio do qual preciso para escutar minha alma nesse intervalo de vontades que pintou no momento. fico a olhar o futuro próximo sem saber onde armar minha energia. tento a fé, mas parece que ela está rasa em mim, embora eu nunca deixe de me comunicar com Deus. queria mesmo é ter mais clareza do nosso futuro juntas. mas sei que a única coisa que me faria mais satifeita seria aceitar o improvável das horas, os lançamentos incertos e as supresas boas. que eu me mantenha sóbria o suficiente para não encaixotar minha vida. peço por nós, a abertura de meu coração no compreender nosso tempo, evoluir conjunto e não me fechar pra você.

13.10.09


embora antigo, meu amor é novo em folha verdinha e macia. de repente olho para o lado e encontro em você: nós. uma respiração de futuro da qual quero oxigenar minhas células. só agora descobrimos aquele lugar de cachoeiras de temperatura exata. pois não há nada como nadar com você. e nesses recados de anjos que baixinho dizem: a vida é grande poesia, fluxo, energia ativa, ousadia com paz de espírito: eu deitada nas nuvens esperando para chover em você novamente.

8.10.09

miró

minha arte e meu desejo tem assim uma relação orgânica. muitas vezes a arte sacia meu desejo. das veiz que ela o desperta. saio pelas ruas procurando o amor das coisas e das pessoas. mas não declamo minhas poesias.

tento enxergar a arte diária da vida, embora nem sempre meus olhos estejam limpos para tanto. mas uma coisa boa de viajar bastante: é que nas estradas entro em contato com essa tela gigante céu; desenhos mistícos, misteriosos, poéticos, assustadores.

piro na vontade de me expressar mais e fazer vazar o que não tem cabimento na minha margem pouca. me derramar como um céu em letras, imagens, músicas. esquentar meu amor na flor da pele com que nasci.

7.10.09


quem água meus olhos são as emoções cultivadas em jardins onde as crianças procuram e acham tartarugas antigas. encontram, então, com algo velho que a Terra tem e que não necessariamente tem uma beleza instantânea: como as próprias tartarugas. essa emoção que me carrega por aí me faz continuar a chorar com as músicas grandes desse Brasil ser tão. o sal me mostra um lugar onde só eu chego e por isso eu gosto de chorar.

24.9.09


sim, as estradas me trariam as portas para entrar em mim e no mundo. ouvi de pés de café sobre a paz do silêncio de quem lida com as plantas. solidão das estradas. os versos das amigas que gostaria ser abraçada diariamente poesia. recebo solta e feliz seu abraço, perinha. mando beijo de beija-flor, pois beijo flores nos meus versos. que nossas saias rodopiem o mundo, no ato de dar e receber nos olhos sentidos. pois as verdades mudam, os caminhos nos surpreendem, mudamos os rumos do nosso barco a todo instante, como fazem mesmo artistas da vida. as possibilidades infinitam nossos sonhos e as vezes é preciso apenas deitar-se na areia ou em sua própria cama com tranquilidade legítima e conquistada. ver todas as tonalidades de verde que conhecem seus sentimentos, meditar sobre a origem do universo ou sobre a beleza das girafas. esquecer o que o futuro nos aguarda, pois quem nos segura a mão com carinho é o presente.

15.7.09

como se a vontade de dançar pudesse fazer o papel abraçar e voar as pernas dela. se sentisse de novo o gosto do começo, talvez entenderia mais do que não compreendo hoje de mim. ainda que fosse um papel em branco, existira uma dançarina escondida no não dito daquele espaço vazio. com certeza sua dança poderia expressar muito mais do que sinto que as poucas palavras que conheço.

os dois sentados no chão. um, no degrau de entrada de sua casa. na calçada, levemente inclinada, o outro. conversas do dia: o tempo, o futebol, os preços, os pássaros e o peixe enorme que pescaram na barra do rio naquela infância passada.

os dois senhores, sentados no chão, eram reproduções quase exitintas de uma forma de lidar com o tempo, que já não se encontra em olhos de um jovem.

um deles se destacava pelas mãos rudes e olhos espirituais. há uns bons anos, sua esposa e ele abriram uma loja de artigos esotéricos. nunca se soube bem o que os motivou, pois não eram aparentemente místicos.

era a única loja na cidade onde se podia encontrar incensos, velas e outras coisas assim. o senhor recebia os clientes com a calma cultivada na calçada. as informações sobre os produtos nem sempre satisfaziam a vontade de encontrar respostas de pessoas que procuram este tipo de loja, mas algo neste senhor instalava a paz mesmo na circustância destes clientes comtemplarem mais uma vez o fato não haver respostas definitivas para as perguntas da alma.

suas mãos rudes mal conseguiam manusear o delicado papel de presente, quem realizava aquela tarefa era mais a sua paciência, sua paz provenientes de sua forma de lidar com o tempo, aprendida no tempo compartilhado das calçadas.

4.7.09

sugeri que ficasse em casa, curtisse seu novo abajur vermelho, embaixo de suas macias cobertas azuis. ela aceitou. permaceu de pijama só para se provar que o tempo é relativo. falou com sua família, mas não quis profundidade. esta seria algo para desgutar sozinha. abriu as janelas para que o ar frio entrasse e cuidasse de renergizar a casa. até o sol apareceu e a brindou com a força introspectiva que tem o sol de julho.
ficou, então, a curtir o tempo vago, o não planejamento do dia. lentamente escolheu do que alimentaria sua alma: sem pressa. com o respeito a seus ciclos, cuidou de sua natureza interna, a floresta de sua alma, que agora sente-se simples e tranquila como as flores de inverno.

25.6.09


bem vinda ao mundo e suas estranhas formas de lidar com o céu. as gargantas que se agitam quando quem pede mais é o ego por debaixo dos panos. o doído dos dias é aquilo que endoice dos dentes que rasgam as finezas na noite mal dormida. os amigos dos quais duvidamos e aqueles que duvidam de nós. caem as sedas de todos, inclusive de mim. há verdades demais nas relações profissionais e ninguém tem razão, pois a razão não tem lugar em meio as vaidades de corações narcisos. a noite vem gelada e enevoada, como também nasceu o dia, como também se olharam as pessoas. esse clima não combina com Pira, nem com a gente.

15.6.09

as emoções que encontram minhas nascentes, meu vulcãozinho feliz, não dialogam bem com os papéis que o mundo nos propõe. o que enche de ar os olhos, as risadas do meu pulmão, a verdade das minhas pernas, ego, humor e lágrimas do sangue: definitivamente não estão no óbvio do que se espera, se sugere, se vende para moças de minha faixa etária, classe social, etcétera e tal. existe uma loucura saudável da qual preciso para me manter sóbria e inteira, viva e autêntica. ainda que não rompa com o mundo, não é em suas proposições primeiras que embarco meus dias.

1.6.09

adriana bertini, mulher com música

querida, vejo seus olhos de companheira
deste artista tão brasil quentinho.
sei das modernidades que rasgam as sedas
que vestimos internamente
para nos preparar para o amor.

querida, me apaixonei pelo seu país
mas mantenho sempre meu respeito por ti.
entendo os medos que calam seus sorrisos
e ouço sua voz cantar a força de uma raiva legítima.

10.5.09

neste cenário
sentamo-nos sob talheres finos
bebemos vinhos delícias, reputações, fugazes
e gozamos nas sargetas; ruas de nossa casa

18.4.09


os traços das nuvens no céu
relativizam a existência humana
assim como o fluir das águas no rio

procura a completude
nas esquinas, nos olhares

quando bate o cansaço
senta na praça e chora
observa a criança descobrindo o pássaro
relativiza sua existência humana

preenche a agenda: completa
corre, espera, cobra, cobra
se envenena, morre

a gentileza do estranho
a força de um mar gigante
relativizam a existência humana

pede desculpa, sente, entende suas falhas
se oferece colo
reza, trabalha, ouve música
vive sua existência humana

8.4.09

sem saber os depois da morte
parece, ela, não existir

oramos pela vida
comunicamo-nos
com a memória de nossos mortos
discutimos religião

sem saber os depois da morte
sentimos medo da saudade

planejamos futuros certos
confundimo-nos com os dias, dias
choramos nas despedidas

convivemos com o amor
sem saber os depois da morte

7.4.09


sem lata na cabeça
a mulher segue ao trabalho
pensa na vida que leva

a mulher segue ao trabalho
passa reto por olhares tontos
não há tempo para o julgamento alheio

sem marido, sem filhos
a mulher segue ao trabalho
almoça fora e janta pizza

inventa horta em vasos
cultiva poesias
feliz, a mulher segue ao trabalho