15.7.09


os dois sentados no chão. um, no degrau de entrada de sua casa. na calçada, levemente inclinada, o outro. conversas do dia: o tempo, o futebol, os preços, os pássaros e o peixe enorme que pescaram na barra do rio naquela infância passada.

os dois senhores, sentados no chão, eram reproduções quase exitintas de uma forma de lidar com o tempo, que já não se encontra em olhos de um jovem.

um deles se destacava pelas mãos rudes e olhos espirituais. há uns bons anos, sua esposa e ele abriram uma loja de artigos esotéricos. nunca se soube bem o que os motivou, pois não eram aparentemente místicos.

era a única loja na cidade onde se podia encontrar incensos, velas e outras coisas assim. o senhor recebia os clientes com a calma cultivada na calçada. as informações sobre os produtos nem sempre satisfaziam a vontade de encontrar respostas de pessoas que procuram este tipo de loja, mas algo neste senhor instalava a paz mesmo na circustância destes clientes comtemplarem mais uma vez o fato não haver respostas definitivas para as perguntas da alma.

suas mãos rudes mal conseguiam manusear o delicado papel de presente, quem realizava aquela tarefa era mais a sua paciência, sua paz provenientes de sua forma de lidar com o tempo, aprendida no tempo compartilhado das calçadas.

Um comentário:

  1. Olha, quanto tempo...

    mas de volta é sempre bom. você até mudou de lugar!

    que saudade.um beijo

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